domingo, 26 de maio de 2013

A FILA...


A FILA.
É indiscutível que as filas participam ativamente de nossas vidas. Basta, é claro, refletir sobre o tempo que se perde nos bancos, na compra de ingressos para eventos esportivos e culturais envolvendo grandes agremiações e estrelas, em velórios de políticos renomados ou artistas e esportistas de grande expressão, em eventos religiosos, como na hora da comunhão nas missas católicas, em comemorações natalinas, quando nestas se faz a entrega de presentes e cestas básicas como nas corridas eleitorais antes das leis mais rigorosas, na garantia de uma vaga para quem deseja estudar em escolas publicas ou entidades sociais e na busca por uma consulta médica em postos de saúde e hospitais públicos.
No município de Salinópolis-Pará, uma que se forma todo inicio de ano por pessoas que querem garantir uma vaga num cursinho popular e gratuito vem sendo motivo de muita critica ao coordenador do referido projeto. Os opositores dessa manifestação de ajuda social acreditam que é necessário encontrar uma nova formula para que aqueles que buscam uma vaga possam obtê-la sem o humilhante sofrimento da fila.

Com efeito, enfrentar uma fila não agrada ninguém, nem mesmo os que estão fora dela, mas o que se percebe nesta que envolve aqueles que buscam garantir uma vaga para modificar sua realidade, transformar sua vida e lhe garantir um futuro melhor é que a fila está se transformando em tradição e motivo de festa consagrada com a aprovação daqueles que nela atravessaram a noite após os resultados dos vestibulares nas entidades publicas e concursos.
Convém clarear, que a fila que se forma às 15 horas da sexta feira quando a matricula se fará às 8 horas do sábado não é um pedido da coordenação do projeto e sim uma manifestação espontânea daqueles que acreditam que neste reside às possibilidades da transformação social, da conquista de um futuro melhor e acima de tudo da redução da desigualdade social e econômica.
A fila do projeto resulta em choro não no dia da fila e sim no final da fila, ou seja, no dia da divulgação do listão. Só que um choro de alegria, choro de emoção, choro de felicidade, choro de devoção, choro de gratidão por todos que contribuíram de alguma forma para que a conquista fosse alcançada, o choro de saudade da fila.
Convém lembrar, que no município de Salinópolis-Pará outra fila se forma todas as noites, enquanto a do projeto se forma uma vez por ano, esta é noturna, gigantesca e mais vergonhosa em se tratando do objetivo e da finalidade da mesma. Esta é para que os necessitados de Salinópolis possam conseguir uma senha, uma senha para tentar, para tentar marcar uma consulta médica.  Certamente, nem todos que frequentam noturnamente essa fila conseguem a maldita ou bendita senha e muito menos a maldita ou bendita consulta e a maioria volta para seus lares depois de uma noite de perda de sono, de ganho de cansaço e de aumento do sofrimento pessoal o que debilita ainda mais sua saúde.
Já em casa, o que resta a esses humildes e abandonados pelo poder publico é o desconforto do choro, do choro de tristeza, do choro de revolta, do choro de vergonha, do choro da impotência de não poder solucionar o insolúvel problema da saúde que se alastra da capital para o interior do Estado e muitos voltam a chorar pela perda de um membro familiar que sem o atendimento emergencial teve sua vida ceifada muitas das vezes por um acometimento de baixa complexidade que afirma o descaso e o abandono dos poderes pela saúde de norte a sul e de leste a oeste desse imenso país.
Em Salinópolis, o povo clama por filas: filas de médicos, mas só tem um no hospital regional da cidade e nos postos de saúde a ausência de fila de médicos é total, filas de enfermeiros e auxiliares, mas o quantitativo é pequeno no hospital regional e nos postos de saúdes são eles que fazem o papel de medico num roteiro encenado ano após ano, filas de termômetros, mas no hospital regional só tem um, por isso o nobre vereador com seu filho acometido tem que regressar a sua casa na busca de um termômetro de sua propriedade para emprestar a uma entidade publica que tem a função de cuidar da saúde dos nossos, filas de remédios, mas o hospital regional e os postos de saúde fazem da big bem, Extrafarma e big sal sua farmácia só que ai os medicamentos são pagos e caro o que excluem aqueles que na noite anterior conseguiram a senha e a consulta de darem continuidade aos seus procedimentos, filas de bom atendimento, mas no hospital regional e nos postos de saúde ele não existe em função do despreparo da direção aos atendentes.
Fila? Fila! Queria fila para no final sorrir. Queria fila para no final chorar. Queria festejar na fila. Queria entristecer na fila. Queria madrugar e ter resposta na fila. Queria amanhecer e ser atendido na fila. Queria viver na fila. Queria, mas não me deixe morrer na fila. Fila bendita, fila santa, fila salvadora, fila maldita, fila da morte, fila sem vida.

POR: VEREADOR ROCHA NETTO

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